sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Como o cheiro de alecrim


- Quando tudo parece estar deslocado, errado -

O dia quebrou
A idéia águou
A flor murchou
O sonho secou
A palavra amargou
O descaso machucou

Mas ela, ainda, não odiou
pois...

O dia clareou
A idéia voltou
O sonho molhou
A palavra chegou
O descaso se auto-boicotou

E ela, ainda, sorri
como...

Flor de jasmim
Todos os dias para mim
Gostando de ser assim
assim...
Como o cheiro de alecrim.


sexta-feira, 30 de julho de 2010

Noite Cheirosa


Uma estradazinha de terra, estreitinha, árvores verdemente encantadoras, flores multicoloridas, inaladoras de nossa essência e exalantes de nosso estado - estar - espelho d'alma. Mais uma noite cheirosa se achegando, noites cheirosas sempre dão inícios a lembranças profundas. Lembranças das quais sempre guardamos n'alma, chega a ser uma lembrança dourada, uma lembrança encantada.
Um fechar de olhos, um suspirar profundo, um riso largo - as sensações mais anestésicas e suaves que se pode ter - um riso aberto. Para a noite cheirosa é necessário estar com a alma leve e o coração aberto, pois, vários elementos mágicos tocam nossa pele, como se saíssem de uma corneta de sonhos dos contos viajantes estelares.
A brisa leve começa a tocar os fios de nossos cabelos e sucessivamente, sem nenhuma interrupção, o restante de nossos corpos.
O céu está multi'tons - lilás, azul, branco, negro, alaranjado, avermelhado - pássaros noturnos nos acompanham alegremente, livremente, e os temos como nossos companheiros, guardiões. Ao caminhar, sons de folhas secas por entre nossos pés descalços, leveza, sentimento de aconchego.
Sim! O Pai das matas nos aconchegou, abençoou, elevou-nos. Cabocla nos guia, nos protege, nos acalma gradativamente, até que borboletas brilhantes nos cruzam, nos fazem sorrir singelamente, e em nossa caminhada se entrelaçam.
Noite cheirosa de essência cintilante, o caminhar se tornando a cada vez mais e mais terno, brando. A dança noturna que eleva os sentimentos mais belos e satisfatórios, a noite cheirosa exalando sua preciosidade.
A noite cheirosa, delicadamente, sutilmente, vai nos deixando, e deixando, também, como prenda a mais bela sensação de limpeza em todas as partes de cada pedacinho de algum de nós.



segunda-feira, 3 de maio de 2010

Outono

Quando cai em meu colo, quando toca minha mão e logo após - naturalmente - se envolvendo em todo o meu corpo me tira do chão, me faz suspirar, alucinar. Produção de duas ou mais sensações sob influência de uma só impressão. Coisas de percepção de natureza sensorial se definem por sinestesia.
As noites de outono são sonhos impensados por aqueles que são insensíveis e aos sensíveis... pura intensidade de situações nunca vividas, porém, já desejadas enigmaticamente pelo pensar oculto da alma.
Fascinante, atrai meu olhar, como se me prendesse com feitiços. Encanta-me, me seduz.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

De e para Renata



Teu corpo é cópia
Copo em que bebo
Cópula em relevo
Carne sem estrutura óssea

Teu corpo é grande
Não pensa: é glande
Sustenta: é caule
Raiz aérea

Teu corpo nasce
Do ventre cresce
Mina meu ego
Semente

Teu corpo é tempestade finda em calma
Mas projeta apenas
Um lapso da tua alma.

- Washington Hemmes

O Passarinho e a Flor

... é que eu faço subliminarmente que é para você não escapar
mas tem coisas que só melhoram com a espera.

Queria saber um pouco mais de teu olhar analitico sobre o tal "pédsorte"

E eu queria fazer uma leitura analitica mais apurada dele.

Faltou a convivência
...e depois? Ninguém verá! Só você!

As idéias iniciais sempre moram em mim, o resto do poema sai de você...
do seu olhar
do seu cheiro
e do seu gosto.

O olhar você conhece uma metade...
aquele profundo, preciso, atento e cego quando é para ser.

Quando a gente cega é para descobrir os sentidos reais
quem tomar um chá de flor
para ouvir o pio da coruja
vai ver que a palavra é limpa
mas a boca é quem suja
cego enxerga o que não olha
se chorar a alma molha
e o coração enferruja.

Estou começando a sentir de novo!
Está voltando
está corando
está avermelhando florescidamente
O coração que há tempos não sentira em meu peito
peito esse que é forte como pedra
e fraco como carne.

Gosto de carne!

Que ventinho bom que está entrando aqui
uma brisinha macia
Sabe?

Sou o vento cantador
como faz um bom vento
viajo no mundo
Sou o sopro vagabundo
da chama da paixão.

Foi exatamente isso que pensei!

Sou atiçador!
trago cheiro de flor
trago cheiro de terra
e do alto da serra minha voz não se encerra
Cantando eu vou!
Eu sou vento menino
balanço barraca no meio da feira
assanho cabelo de moça solteira
e faço o chapéu do poeta voar
Eu sou força valente!
derrubo maloca
espanto a poeira
das canções do mundo eu sou a primeira
mas mesmo que não queira não faço tombar.

Você traz o cheiro de flor
e pode leva-lo em tua voada...
onde for...
pois, essa alma da tal flor não tem casa
nem amarrações ou raízes
o cheiro é livre
e aquele que tivera a essência da alma sensível
a tem como prenda!

Fez batuque no meu peito
desses de maracatu
queria te ver!

Que pena que queria...
... pois eu quero!

Tu vai ver em que tempo fica o verbo
logo, logo
abra as portas dos teus sonhos
que assim entrarei
uma hora eu acerto.

E esse acerto vai ser tão real
que vou te ver, mesmo depois de acordada.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Estar ausente


Estar ausente nos meus pensamentos que um dia foram compartilhados
me faz estar ausente com o mundo lá fora, com o meu mundo aqui dentro

Estar ausente nos meus pensamentos esclarecidos e claros à todos
me faz me sentir como apenas mera metade de mim

Essa ausência tem tempo determinado dentro das minhas possibilidades de vida
acredito muito nisso tudo

Que venha a liberdade mental e física.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Juquinha da serra

Juquinha
Ali tudo ele vê
Dia e noite, noite e dia
Sol, chuva, neblina
Noite, estrela e breu
Milhares de pessoas, animais e coisas a mais
Pessoas alegres, tristonhas

Juquinha andarilho da serra
Figura folclórica da região
Cheio de contornos místicos ele encanta e deslumbra
É de pedra, mas seu coração ainda bate, intenso e vivo
1987 ele deixou a serra, deixou carnalmente
Mas estará, sempre, tranqüilamente e eternamente no lugar
Aguardando seus diversos visitantes

Era comum vê-lo trocando as tuas flores e plantas colhidas
Trocava por utensílios ou por mantimentos
Isso tem um nome: simplicidade e graciosidade no saber viver
Juquinha da serra