quarta-feira, 21 de abril de 2010

De e para Renata



Teu corpo é cópia
Copo em que bebo
Cópula em relevo
Carne sem estrutura óssea

Teu corpo é grande
Não pensa: é glande
Sustenta: é caule
Raiz aérea

Teu corpo nasce
Do ventre cresce
Mina meu ego
Semente

Teu corpo é tempestade finda em calma
Mas projeta apenas
Um lapso da tua alma.

- Washington Hemmes

O Passarinho e a Flor

... é que eu faço subliminarmente que é para você não escapar
mas tem coisas que só melhoram com a espera.

Queria saber um pouco mais de teu olhar analitico sobre o tal "pédsorte"

E eu queria fazer uma leitura analitica mais apurada dele.

Faltou a convivência
...e depois? Ninguém verá! Só você!

As idéias iniciais sempre moram em mim, o resto do poema sai de você...
do seu olhar
do seu cheiro
e do seu gosto.

O olhar você conhece uma metade...
aquele profundo, preciso, atento e cego quando é para ser.

Quando a gente cega é para descobrir os sentidos reais
quem tomar um chá de flor
para ouvir o pio da coruja
vai ver que a palavra é limpa
mas a boca é quem suja
cego enxerga o que não olha
se chorar a alma molha
e o coração enferruja.

Estou começando a sentir de novo!
Está voltando
está corando
está avermelhando florescidamente
O coração que há tempos não sentira em meu peito
peito esse que é forte como pedra
e fraco como carne.

Gosto de carne!

Que ventinho bom que está entrando aqui
uma brisinha macia
Sabe?

Sou o vento cantador
como faz um bom vento
viajo no mundo
Sou o sopro vagabundo
da chama da paixão.

Foi exatamente isso que pensei!

Sou atiçador!
trago cheiro de flor
trago cheiro de terra
e do alto da serra minha voz não se encerra
Cantando eu vou!
Eu sou vento menino
balanço barraca no meio da feira
assanho cabelo de moça solteira
e faço o chapéu do poeta voar
Eu sou força valente!
derrubo maloca
espanto a poeira
das canções do mundo eu sou a primeira
mas mesmo que não queira não faço tombar.

Você traz o cheiro de flor
e pode leva-lo em tua voada...
onde for...
pois, essa alma da tal flor não tem casa
nem amarrações ou raízes
o cheiro é livre
e aquele que tivera a essência da alma sensível
a tem como prenda!

Fez batuque no meu peito
desses de maracatu
queria te ver!

Que pena que queria...
... pois eu quero!

Tu vai ver em que tempo fica o verbo
logo, logo
abra as portas dos teus sonhos
que assim entrarei
uma hora eu acerto.

E esse acerto vai ser tão real
que vou te ver, mesmo depois de acordada.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Estar ausente


Estar ausente nos meus pensamentos que um dia foram compartilhados
me faz estar ausente com o mundo lá fora, com o meu mundo aqui dentro

Estar ausente nos meus pensamentos esclarecidos e claros à todos
me faz me sentir como apenas mera metade de mim

Essa ausência tem tempo determinado dentro das minhas possibilidades de vida
acredito muito nisso tudo

Que venha a liberdade mental e física.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Juquinha da serra

Juquinha
Ali tudo ele vê
Dia e noite, noite e dia
Sol, chuva, neblina
Noite, estrela e breu
Milhares de pessoas, animais e coisas a mais
Pessoas alegres, tristonhas

Juquinha andarilho da serra
Figura folclórica da região
Cheio de contornos místicos ele encanta e deslumbra
É de pedra, mas seu coração ainda bate, intenso e vivo
1987 ele deixou a serra, deixou carnalmente
Mas estará, sempre, tranqüilamente e eternamente no lugar
Aguardando seus diversos visitantes

Era comum vê-lo trocando as tuas flores e plantas colhidas
Trocava por utensílios ou por mantimentos
Isso tem um nome: simplicidade e graciosidade no saber viver
Juquinha da serra

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Borboletas do Poço

Punha-se o sol, as sombras sonolentas
Mansamente nos vales se alongavam,
Bebiam na taberna os arrieiros
E as bestas na poeira se espojavam.
- Fagundes Varela –


Cinco horas da madrugada - aproximadamente. Cheiro de fogueira do resto da noite, gotas de orvalho. As árvores encobriam o céu - céu parcialmente negro e azul. Estrelas da manhã já chegavam ao poço. Poço de águas cristalinas, pedras encantadoras, cachoeira que faz aliviar

Sim!

Era mais uma vez o Poço das Moças, encantando, deslumbrando os olhos dos sensíveis de espírito, de alma e coração. Na descida do barranco, os olhos não sabiam o que lhes aguardavam. Eram todas as suavidades, delicadezas e simplicidades imagináveis. Todos caminhavam com muita energia positiva, sentimento e sensação de tranqüilidade.
Fui a primeira... A primeira a ver um dos mais lindos amanhecer de todos os meus dias! Momento inesquecível, encantador, mágico: um bando de borboletas! Tantas que cheguei a achar que era um lindo sonho. As “nuvens” estavam a cinco palmos das pedras. Tornando, mais ainda, encantador e mágico aquele momento.
Eram tantas, de todas as cores, todos os formatos e tamanhos. Conforme ficamos paralisados para não pisarmos em alguma sequer. Elas se achegavam a nós, suavemente, levemente. Pousavam em nossos corpos, em todas as partes que eram possíveis.

O dia foi nascendo, o sol aparecendo, aquecendo
As “nuvens” sumiram em questão de minutos
Tudo muito lindo
As belas e coloridas borboletas foram voando
Tão livres, tão livres
Deixando em mim a, inevitável e inesquecível, lembrança
Lembrança que faço questão de guardar em minha caixinha de papelão para sempre
Sempre as levarei em minhas mais doces lembranças
As belas, formosas, coloridas e fantásticas borboletas/fadas do Poço das Moças.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Mercadorias e Futuro


Mercadorias e futuro
O trabalho é um processo
entre a natureza e os homens
realiza, regula, controla.
Toda força é usada pra controlar
e depois se divide pra produzir.

Ninguém está só!

Nessa terra que gira no oco
ninguém está só
está só.

Todos trabalham
e todos tem acesso
aos frutos de seu trabalho?

Eu pergunto!

Todos trabalham
e todos tem acesso
aos frutos de seu trabalho?

Porque estou aqui para vender uma coisa.
Estou aqui em pé
no som, na luz
para vender um livro.
A terra quem me deu
eu só plantei.

Dos instrumentos de pedra
aos instrumentos de metal
estou aqui para vender um livro.

Passei por lugares
de ramagens pretas
de cruel paisagem
de paragens brancas
infinita estrada e entroncamente
conversei com loucos seres
que me responderam
antes da pergunta.

Estou aqui para vender uma coisa
quem quer comprar?
Pode você não usar
mas tem os seus filhos
e os que virão
os que cairão do vagões do céu
do amanhã.
Você conhece os filhos
que estão plantados lá na colina
e serão colhidos depois?

Demorou para ser feito
e esse símbolo cobrado
não paga nunca hotel.

Dos instrumentos de pedra
aos instrumentos de metal.

E como mercadoria pode ser
comprado, trocado
peço um pouco de atenção
no precioso tempo de vocês.

Tempo é ouro!

Ó amanhã
o que será o amanhã?
É! Eu pergunto embriagado
pelo vinho, pela duvida e o medo da escuridão.

O medo da escuridão!

- Antonio Paes de Lira (Lirinha) - Trecho do monólogo “Mercadorias e Futuro”.
Foto: Renata Teixeira, Itaú Cultural'09 (todos os direitos reservados).

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Diferenças

Quem traçou na terra as linhas que dividem os povos?
Quem plantou nas linguas
as palavras com as quais não nos entendemos?

Em meu peito trago tantos cantos
que nem mil bocas poderiam cantá-los.
Em meu corpo tenho tantas distâncias
que nem mil abraços poderiam cruzá-las.

Mas se suas palavras estranhas
chegarem como amigas, não se preocupe,
as entenderei como meu próprio
sangue que palpita.


- Mauro Luis Iasi -

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A doença que afeta a todos

Se é um bem, porque faz tanto mal?
Pessoas chegam à beira da loucura por conta dele, de uma forma ou de outra;
Por tê-lo ou por falta dele.
Se analisar-mos mais a fundo realmente não é um bem, pois faz guerra, deixa as pessoas viverem na miséria, traz brigas e desunião, morte e tristeza, e quando se tem muito dele, traz solidão e egoísmo.
E como diz uma grande amiga: Quanto mais se conta de tostão a tostão, menos se tem.

Sem ele não comemos, não moramos, não temos saúde e isso é mesmo muito triste.
Desde que me entendo por gente, não se vive sem ele, é impossível.
Estamos mesmo presos a esse sistema capitalista!

Desolados, sem apoio de quem pode apoiar, de quem pode melhorar.
Muitas pessoas gostam de outras pessoas apenas por conta dele, e se você não tem a quantidade considerável que o outro julga ser importante, você não presta e nem tampouco serve para conviver com as mesmas.
Outros acham ser seus donos, apenas por ter um pouco mais do que você.
Ainda sonho em deixar-mos de ser escravos morais destes “tals”, dessas pessoas podres e feias de espírito!

Não vejo problema algum em alguns que se satisfazem com o simples e o necessário
São pessoas desapegadas à essa tal sombra da maldade, pessoas evoluídas.
Ter que cumprir horário, ter que deixar as coisas belas de sua vida passarem como as estações do ano, dói e mastiga noss’alma.

E esse consumismo desenfreado realmente me incomoda.
Pessoas cada dia mais egocêntricas, duras umas com as outras, com almas de pedras.
Tudo, nada mais, nada menos por conta desse pedaço de papel com grande valor material.
Espero nunca pegar essa doença epidêmica que faz matar a essência de cada um de nós, e espero nunca me tornar dependente incondicional dele.

A doença do dinheiro!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O fio do verdadeiro amor

Entrei na sua vida, como um destino entra em uma alma
Almas laçadas com o fio do verdadeiro amor
Ainda nos sentimos com mesma intensidade, a distância é coisa que o tempo e os caminhos percorridos pelo acaso nos proporcionou
365 dias sem tua presença me faz pensar que tudo foi um sonho

Agora tenho a certeza que estará em mim para sempre como um sonho, um mero sonho bom
Daqueles que existem somente com a missão de serem mesmo lindos
Me guiou para grandes caminhos, me deu coragem, me fez ver o mundo que tinha medo de conhecer

Aquele cheiro do verão, aquela areia branca, nossas andanças e sorrisos espontâneos
Coisa de pele, alma e coração, era união
E era tão bom!

O mar, o chão de um parque _ou até mesmo de uma calçada_ era nosso ponto de satisfação
E hoje estamos à descobrir coisas, coisas singulares, eu aqui e você acolá
E o bom mesmo... é deixar tudo como está!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A teimosa da sensação


Hoje tive a sensação
Aquela, teimosa
Boa e ruim

Diacho!

Tinha sumido
Mas a sem vergonha voltou
Como se’u não tivesse mandado ela pra’s bandas de lá

Se tudo pode acontecer, pode acontecer de ser
E não é?
E se não for, não é
Tem frustração não, bobagem
Não há bicho que me faça ter medo de viver, nem tão pouco do que possa acontecer
Mera conseqüência

A gente aprende e faz ficar maduro, pronto pra ser apanhado do pé
Depois faz é arrancar bons sorrisos, pelo o que era tenebroso
E hoje o tal do tenebroso?
Ah... hoje é nada!
Pronto
Tô pronta

O mesmo dia que passa rápido parece durar uma década a cada hora
Coisa de “faniquito”
Logo passa
Vamos no sincronismo do universo, vivendo, porque viver é bom demais
E a sensação logo volta pra’s bandas que ela tem de ficar.